quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Lisboa, Louis Vuitton e os sem abrigo

Passamos, a passo rápido na Avenida mais iluminada do centro, Liberdade é o nome dela. Ainda assim, o medo dos assaltos a colar-nos um ao outro, o olhar a cruzar o espaço, perscrutando ameaças próximas ou longínquas. Os sem-abrigo já dormem, em camas improvisadas de cartão sobre alcatifa, à porta das lojas mais finas de Lisboa, precisamente também, as mais iluminadas. Escolhidas para cabeceira de cama, provavelmente por uma questão de segurança dos próprios que assim, às claras, quem sabe, se escondem...
Alheios, na manhã seguinte, já varrido o espaço da infâmia da pobreza, clientes chiques entram, apressam os bens de luxo aí oferecidos e compram, com lustrosos cartões de crédito, o que está para além do vidro /fronteira de mundos opostos.
À noite, de novo os pobres desconstroem o cenário diurno desta Lisboa de contrastes que gritam, talvez para surdos...

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